quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tha eith ov julai

    Eis que este dia começou com uma visita à casa da Dona Elizabeth para ver os hominhos mudando de lugar. Eu, o Fell, o Marcelo e a tia Nil saímos de casa (atrasados, as always) e fomos ver a troca da guarda, no Palácio de Buckingham, que acontece todos os dias às 11h30. Mas sempre tem um monte de gente querendo ver, então tem que chegar cedo para arrumar um bom lugar no aglomerado. Chegamos umas 10h30 e, apesar da Claire ter dito que o melhor era ver de longe, na frente do Trlalalalawney da Victoria, a gente seguiu as instruções do Fell e ficou a um grupo de pessoas (cuja nacionalidade não fomos capazes de decifrar. A tia Nil achou que era alemão, eu achei que era árabe e os meninos acharam a de olho verde gatinha) da grade e assistimos a um quinze avos do que aconteceu, através das barras da grade, das cabeças das pessoas e das mãos com máquinas fotográficas e celulares. A galera é muito folgada, maaanooo! A pessoa SE ENFIA NA MINHA FRENTE e fica gravando videozinho pra postar no insta. SABEE??? Tenho certeza que essas coisas eram muito mais mágicas quando não existia máquina digital. Teve vários momentos que eu tive que ficar assistindo pelo celular dos outros porque não conseguia enxergar nada! Isso quando não aparecia um francês FOLGADÊ PRA CARALHÔ e literalmente (vocês sabiam que, de tanto as pessoas usarem "literalmente" errado, mudou o significado? Segundo o Marcelo, não significa mais que a coisa aconteceu de fato. Mas, bom, aqui significa) se apoiava em mim para enfiar a cabeça na minha frente!
    Anyway, o que aconteceu foi: saiu a tropa que estava guardando o palácio e entrou a outra. Mas, no meio disso acontecem vários paranauês que eu não consegui enxergar, tipo um bater continência pro outro, um conferir o uniforme do outro, etc, etc. Mas O MAIS LEGAL DE TUDO, muito mais legal do que estar na frente de um monte de cotonetes gigantes de corpo vermelho e cabeça preta, muito mais legal que imaginar que a rainha, o príncipe ou a princesa de Tralalalalawney está lá dentro, foi quando eles tocaram as músicas. BITCHES, ELES TOCARAM A MÚSICA DA ABERTURA DO GAME OF THRONES, A MÚSICA DO INDIANA JONES EEEEE A MARCHA IMPERIAL DO STAR WARS!!! Foi móóóinto legaaaaal! E nessa hora eu também virei uma chatona com câmera na mão porque queria gravar a música pra minha mãe! Enfim, maior legal.
    Saindo de lá, nós quatro andamos até os arredores do Big Ben e vimos lá o dito cujo. Lindão, viu? Bem mais do que eu imaginava. Tiramos umas fotinha dele e da gente fazendo coisa de turista numa cabine telefônica vermelha, mas logo pegamos o metrô para ir encontrar meus pais na saída do hospital.
Quantas saídas vocês imaginam que esse hospital tenha? Tinha seis.E meus pais não estavam em nenhuma delas.
    Subimos descemos, rodamos, andamos e lutamos para viver num mundo sem celular. E vencemos. Finalmente, eu encontrei minha mãe e nós fomos todos almoçar num restaurante de massas que um funcionário bonzinho do hospital indicou. Comi uma lasanha que estava bem delícia. Mas, virge Maria que só to comendo massa e fritura nessa viagem, minha nossinhora!
    Saindo de lá, pegamos o metrô para a London Eye, que é a roda gigantezonha que tem vista pra cidade, roda a 1km/h e tinha uma fila de 100km. De lá, tem uma vista bem bonita do Parlamento (que é onde fica o Big Ben) do outro lado do Tâmisa. Tiramos bastante foto, fomos no banheiro, papai e mamãe comeram waffles e nós atravessamos a ponte para chegar lá perto do Big Ben. A cada passo, ele ia ficando mais bonito. É todo cheio de detalhes dourados e desenhos e pontas e tal. É bonito de verdade. Mas não pode entrar nem nada, então o mais perto que a gente chega é da grade, na qual o Marcelo encostou primeiro, beating me na nossa competição de quem encosta em monumentos históricos primeiro.
    Demos a volta no Parlamento e fomos na Abadia de Westminster, onde o Marcelo também encostou primeiro e onde nós não pudemos entrar porque estava tendo missa. Na verdade, meus pais e a tia Nil ficaram para fora e eu, o Fell e o Marcelo entramos , ficamos 10 segundos e fomos expulsos. Anyway, era bonito lá dentro, como sempre são essas igrejas góticas da Europa. E a lojinha de souvenir tinha coisas incríveis. Etcha lelê, ta aí um negócio que me incomoda: gente que faz dinheiro em cima de religião. Enfim, nem comprei nada porque era tudo carésimo.
    Saindo de lá, a gente foi pra Trafalgar Square, mas só vimos de longe porque, antes que a gente chegasse lá de fato (não que tivesse muito o que ver, me pareceu), paramos numa lojinha de souvenir que fez os adultos ficarem cansados e quererem ir para casa e deu tempo de começar a chover. Então, os planos de ir nos pubs do Convent Garden assistir o jogo do Brasil com a Alemanha (aaahh... Esse jogo! Mal sabíamos o que nos aguardava...)foram cancelados e os adultos foram ver em casa, enquanto as crianças foram no Hard Rock café. Mais uma longa caminhada sobre peitos e bundas e enfim uma loja com camisetas legais de rock que, vejam vocês, ficava num lugar separado do café. Ali era a parte de gastar dinheiro, pra tomar uma cerveja, tinha que atravessar a rua. E assim o fizemos. Tomamos uma cerveja no balcão do bar e depois vimos que não daria tempo de voltar para casa para ver o jogo com meus pais, então fomos procurar um pub que tivesse lugar para sentar e uma tv passando o jogo. Andamos bastantinho, até que achamos.
Entramos lá sóbrios, tomamos mais duas cervejas cada um e saímos bêbados humilhados, incrédulos. Sete, cara. SETE. Isso é muito. Tipo, muito mesmo. Nunca vi um massacre desses, que absurdo! Eu nem ligo pra futebol, mas quando chegou no cinco, eu fiquei com vontade de chorar. E os alemães faziam o gol com uma facilidade!! Simplesmente não tinha ninguém defendendo! E os europeus todos do pub comemorando a cada gol e eu incrédula, recebendo mensagens de zuação no whatsapp. Que loucura, cara. Que loucura.
Enfim, saindo de lá, fizemos nosso longo caminho para casa, todos bêbados, o Fell rindo de mim bêbada falando que eu fico mais legal assim, o que é um elogio e uma ofensa ao mesmo tempo, e eu querendo muito muito muitão (mas não mais que na Times Square, Ni) fazer xixi. Aí o Marcelo cavalheirou para a irmãzinha e conseguiu que o moço do metrô me deixasse usar o dos funcionários e aí eu me tornei uma pessoa mais feliz. Foi assim: o Marcelo chegou e perguntou se tinha banheiro, aí o cara falou que não, só para funcionários. Aí o Marcelo falou que era pra irmã dele e o cara falou: "ah, então tudo bem" (subtexto: é uma mocinha, então se ela fizer cocô, vai ser pequenininho e com cheiro de flores, então pode) e fez a boa.
E, como se não bastasse, quando a gente saiu da estação onde eu fiz xixi, uns caras ainda tentaram puxar briga com a gente na rua??!! Primeiro, eles jogaram água na gente, aí todos olhamos feio e eles tacaram uma latinha. Aí o Marcelo ficou putão e falou "Go fuck yourself! Aqui é BR, porra!" (ou coisa que o valha). Aí o cara veio pulandinho com os punhos fechados, daquele jeito que é bem o mais ridículo possível para puxar briga, falando "Come, come!" Aí, o Fell falou: "I'll call the cops, asshole!" e eles debandaram. AFFS... TE CONTÁ, VIU?
    Cheguei em casa sem condição alguma de escrever aqui e compartilhei minha frustração com meu pai (que, no fim das contas, foi ver o jogo com a minha tia num restaurante aqui perto, porque a TV do ao não ligou, e minha mãe ficou em casa, nervosa demais para acompanhar a partida, acompanhando só pelo whatsapp dazamiga) e com ozamigo do Brasil, que mandaram memes e áudios engraçadíssimos e fui dormir.
    Perturbada. Acordava no meio da noite e pensava: sete, mano. Sete. Sonhei que a Alemanha perdia de oito.

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