domingo, 13 de julho de 2014

Tha thãrtinth ov julai

    Dormi o voo inteiro. Mesmo. Só acordei para jantar, trocar de posição e tomar café da manhã. Não lembro se teve algum outro voo na vida em que eu dormi tanto assim. Eu estava cansada mermo. Não houve condição alguma para escrever nada aqui. Chegamos no Brasil, descemos do paranauê, passamos pelo paranauê, paramos no paranauê para comprar os paranauês, pegamos os paranauê na esteira, saímos pelo paranauê, paramos para tomar um paranauê, falamos com os paranauês para avisar dos paranauês e fomos embora.
    Passamos na casa da vovó Nilsa para deixar a tia Nil, entramos para tomar café, comer bolo e reclamar da seleção e viemos para casa, onde fomos recebidos com muito amor e patas elameadas pelos cães e muito desprezo-que-na-verdade-representa-a-insatisfação-com-a-nossa-ausência-por-todo-o-amor-que-eles-têm-por-nós pelos gatos. O papai e a mamãe capotaram, a Ana Claudia passou aqui e eu fiquei escrevendo no blog (que finalmente consegui abrir num computador decente, notar que o design estava pavoroso e arrumar). Agora os dois acordaram e estão fazendo o almoço. Meus planos para o dia são: comer, dormir e assistir Game of Thrones até acabar a quarta temporada!

Conclusões sobre a viagem:
1. Engordei.
2. A próxima vai ser para um lugar exótico, onde a gente só fica sentado, vendo paisagem bonita.
3. Seis é demais.
4. Menos expectativas. Mais paciência.
5. Entretenimento é arte.

Tha tuelfth ov julai

    Último dia, último passeio, últimas brigas, primeiro dia de calor. Papai foi pra hemodiálise, Fell ficou dormindo e o resto de nós foi para Notting Hill, um bairro que tinha o Porto Belo Market, que é uma feira de antiguidades. Tinha coisas legais, mas eu não tenho muita paciência para ver e a gente se perdia toda hora porque aquele lugar estava parecendo 25 de março em feriado! Mó lotado e cada um querendo parar para ver uma coisa. A gente acabou se separando do Marcelo, que foi olhar espadas, e andando até metade do mercado, tentando ver o que tinha de bom nas barraquinhas e nas lojinhas. Paramos para tomar sorvete e café e demos meia volta, porque não podíamos voltar tarde, já que ainda tínhamos que almoçar e terminar de arrumar as malas antes que o carro chegasse para nos levar pro aeroporto.
    Acabou que ninguém comprou nada e, na volta, nós passamos na lojinha de 1 pound perto de casa para ver se tinha alguma coisa boa. Minha mãe comprou umas coisinhas para casa, o Marcelo comprou um óculos de sol e logo nós chegamos no restaurante/pub, onde nos encontramos todos para almoçar. Comi as ribs pela última vez, dando adeus a essa alimentação extremamente calórica que eu andei tendo, tiramos uma foto final de todos juntos e fomos para casa nos preparar para deixar a terra da rainha.
    Banhos tomados, malas fechadas, check-ins feitos pela internet (menos o da tia Nil, que deu pau) fotos descarregadas, câmera emprestada pela irmã super incrível e maravilhosa para o irmão xexelento e gosmento tirar fotos da viagem bacanuda dele e descemos todo para a calçada para esperar o transporte, que não foi britanicamente pontual e atrasou quase meia hora para nos buscar. 16h30 nós botamos as malas no carro, nos despedimos dos moleques e, assim que o carro deu partida, os dois começaram a fazer a dancinha da alegria e da liberdade. Fiquei com invejinha.
    Pegamos um trânsito do capeta para chegar no aeroporto. Ficamos 2 horas e fucking meia. Pelo menos, dei uma dormida e o assunto do rádio era interessante: um jogador britânico falando sobre suas impressões sobre o Brasil, dizendo que todo mundo era muito simpático e hospitaleiro e que os problemas de infraestrutura pelos quais nós protestamos são reais e que o Rio nem é tão perigoso assim e que aqui é tudo muito caro (isso vindo de um cara que recebe em libras, vejam vocês!)... Achei interessante. Mas não tão interessante quanto passar a noite em Bruxelas ir para Amsterdã no dia seguinte e passar 20 dias mochilando pela Europa com um amigo.
    Chegando no aeroporto, nós corremos para conseguir fazer o check-in da tia Nil e despachar as bagagens de todos e passar pelo raio-x (que estava com mó filona, mas tinha uma moça simpática que disse que eu tinha cara de novinha e elogiou  meu vestido e que ficou de boas com o fato do meu pai apitar por causa da prótese metálica que ele tem na perna) e pelo free shop e pegar o ônibus para o avião que estava na remota e entrar no avião para Paris a tempo. O voo foi curto e tranquilo e eu fiquei desenhando no saquinho de vômito. Chegando em Paris, também foi meio corrido, porque só tínhamos 1h para fazer a conexão para São Paulo, mas pelo menos ficamos o tempo todo em trânsito internacional, então não teve muita burocracia. Só passamos pelo raio-x de novo e voilá! Já estávamos perto do portão de embarque.
    Entramos no avião e os horários ficaram confusos: Londres, Paris, Brasília, Bruxelas, Amsterdã, oscambal, sono, fome, xixi, sede.

Tha ileventh ov julai

    Mais um dia de cada um por si. De manhã, a tia Nil foi no shopping, minha mãe foi na Oxford Street (uma rua com lojas de roupa e um brechó do exército da salvação), meu pai e os meninos ficaram dormindo e eu (fiquei enrolando para sair de casa, então não saí cedo o suficiente para poder passar antes na King's Cross Station, onde tem a estação 9 e meio do Harry Potter, com um carrinho enfiado na parede, então só) fui direto pro Shakespeare Globe. Minha mãe ia se encontrar comigo lá depois de ir na Oxford Street, mas acabou se atrasando e não chegou a tempo do tour, frustrada porque a rua era zoada e cara e ela nem comprou nada, e chateada de ter perdido a visita.
    Eu fui num grupo de umas 30 pessoas, guiada por uma velhinha engraçada e simpática (e não pelo mocinho ruivo bonito que estava com o grupo das crianças) que foi mostrando todas as partes do teatro pra gente e explicando como as coisas funcionavam naquela época. O teatro é redondo e (à exceção do palco e das arquibancadas) à céu aberto. Os ricos ficavam nas arquibancadas, os pobres no chão descoberto e os hiper ricos no palco, vendo a peça de costas, mas ostentando toda sua riqueza, por estarem o mais perto possível dos atores - que, na verdade, nem eram tudo isso. Só ficavam no coberto porque seus figurinos eram muito caros e não podiam molhar. O teatro pegou fogo num incêndio em 1600 e pouco e foi reconstruído em 1997, tenteando ser o mais fiel possível às técnicas e materiais usados na época, mas com um sistema de segurança contra incêndio. Bom, não dá pra ficar contando tudo que a moça falou, mas foi bem legal conhecer lá! E consegui tirar umas fotos bonitas :D
    Saindo de lá, passei pela exposiçãozinha que tem junto com o teatro e fui encontrar minha mãe, que estava dormindo na lanchonete. Juntas, almoçamos um sanduíche e, depois de muito discutir e mudar de ideia mil vezes, fomos (de ônibusvermelhodedoisandareeeeees! :D Única vez que eu andei! O resto eu fiz tudo de metrô e trem) para o Covent Garden, que é um mercado de lojas, barraquinhas e restaurantes, num lugar super bonito, com músicos de rua e mesinhas na calçada e gente andando e flores! Andamos, andamos, andamos, e de repente percebemos que estávamos mal-humoradas, mas não sabíamos porquê. Então, sentamos numa mesinha, comemos crepe e tomamos cerveja, ficamos reclamando dos homens e, de repente, ficamos super bem humoradas!
    Então, fomos para o teatro encontrar com o resto do povo, que tinha passado a tarde no estádio do Chelsea e no Museu de História Natural. Chegando lá, meu pai e a tia Nil estavam tomando um café e o Marcelo e o Fell tinham ficado esperando no metrô e o Marcelo ligou dando chilique PORQUE A GENTE TÁ ESPERANDO AQUI HÁ UM TEMPÃO E MIMIMI MIMIMIMI. Novamente: o combinado era às 19h. Se você chegou mais cedo, eu não tenho culpa.
    O papai foi embora e nós três entramos no teatro, retiramos nossos ingressos e fomos andando até o nosso lugar. Era tudo bonito e luxuoso! Inclusive todos os degraus que a gente subiu para chegar no nosso acento, que era no quarto andar da platéia, na penúltima fileira. PENSE. A gente viu a peça toda de cima, tenho que se inclinar muito pra frente para enxergar. Mas, era o que dava para pagar. E foi MÓÓÓ LEGAAAAAL! AGAIN: ENTRETENIMENTO É ARTE SIM. ENTRETENIMENTO RULES! Todas as músicas e coreografias eram mega empolgantes e a plateia era mó animada e o cenário era bem bonito e todo mundo cantava super bem e tinha vários homens maravilhosos de sunga!
    Saímos de lá empolgadonas, cantando as músicas, e fomos para casa jantar o macarrão de segunda feira, que sobreviveu a semana inteira. Todos arrumaram suas coisas e deixaram tudo encaminhado para o dia seguinte, que já era o dia da volta pra São Paulo, para casa, para a realidade... E depois fomos dormir (menos os meninos, que ficaram até às 4h da manhã acordados esperando as roupas terminarem de lavar e secar).

Tha ténth ov julai

    Depois do dia anterior, eu cansei dessa história de ficar responsável por fazer a programação, tentando encaixar as vontades de todo mundo e fazendo os horários baterem, então abdiquei do meu cargo e todos ficaram livres para fazer o que quisessem. Bom, mais ou menos. "QUERER" fazer hemodiálise não é bem o caso, mas é o que tem pra hoje.
    Mamãe e papai foram para a hemodiálise. Tia Nil foi numa Decathlon gigante que tinha perto de casa. Marcelo e Fell ficaram dormindo. Eu combinei de encontrar mamãe no Shakespearte Globe, mas eu me atrasei (e a mamãe ficou puta) e acabou mudando para Abadia de Westminster, que a gente não tinha conseguido ver direito aquele dia. Fui lá encontrar com ela em meio a chuva e vento, com meu lindo guarda-chuva amarelo e (ela já estava menos puta, quando eu cheguei), depois de um bom tempo na fila, pagamos DEZ-MOTHERFUCKING-OITO LIBRAS para entrar na igreja. PAGAR PRA ENTRAR NA IGREJA, MANOOOO??? É muita sacanagi. Anyway, entramos lá, vimos tudo os paranauê típico de decoração de igreja gótica, andamos por todas os caminhos malucos da igreja (que é super confusa e tem uma parede no meio!) e vimos os túmulos de um monte de gente, incluindo Charles Darwin e Isaac Newton! E, no meio, tem um jardim  bonito, onde a gente tentou tirar fotos, mas ficaram todas ruins.
    Saindo de lá, fomos nos encontrar com o papai na saída do hospital e fomos almoçar. A ideia era que os outros tivessem ido nos encontrar pro almoço, mas estava chovendo muito e eles não foram. Então, nós três comemos naquele mesmo lugar que eu pedi a lasanha delícia no outro dia, mas dessa vez eu pedi um risotto que estava bem mixuruca sem sal, fazendo jus à fama da comida britânica. De lá, fomos para o Shakespeare Globe, que é uma réplica do teatro da companhia do Shakespeare, que pegou fogo. Só que não estava tendo tour naquela hora porque tinha um espetáculo acontecendo, então nos mandara COME BACK TOMORRUW BETWIN NAIN AND TWELV THÂTY. Mas a lojinha estava aberta. HE. Compramos umas coisinhas e depois fomos nos encontrar com o resto da nossa trupe no British Museum. Depois de muita discussão (sempre num período limitado do tempo que passamos numa área de wifi) sobre onde e quando nos encontrarmos, decidimos enfim que seria às 16h a 5 passos da entrada do museu, do lado de dentro, na escada.
    Encontramos os bichos e fomos ver bichos empalhados, pedras de milhões de anos, armaduras, livros, sarcófagos e uma pá de coisa. Mas, antes que chegássemos à grande atração do museu, a Pedra de Rosetta, os funcionários expulsaram todo mundo porque estavam entrando em greve (Y) Eeeetcha lelêê! Só porque a gente falou "Vamos no British Museum que só fecha às 20h30, então vai dar tempo de vermos tudo com calma". Mas aí não. Fechou às 17h30, como todos os outros.
    Saídos do museu, nos dividimos em papai+mamãe, que foram pra casa, e Nil+Fell+Marcelo+eu, que fomos para o point dos teatros (tipo uma Broadway da vida) ver qualé que era, pra tentar escolher uma peça legal e pagável para assistir no dia seguinte. E aí que lá é mó badalado! Vários teatros, pubs, cartazes luminosos, gente na rua, maior legal! Consegui um folhetinho com todos os horários, preços e endereços das peças e nós andamos até o final da rua, onde nos deparamos com um dos 5 restaurante do Jamie Oliver! Já estava começando a dar fome, então nós resolvemos parar lá para comer (achei meio trairagem com o papai e mamãe, mas não quis me pronunciar para não ser apedrejada). Ficamos um tempinho na espera e depois entramos, fomos atendidos por uma garçonete super simpática, comemos hambúrgueres mó bons, tiramos selfies engraçadas no espelho do banheiro e decidimos que iríamos (na verdade, só eu, a tia Nil e a mamãe, porque meu pai e o Marcelo não quiseram, por mais que o Fell - visitante assíduo de Londres, que fez o guia turístico da viagem - tenha dito que valia a pena, e o Fell acabou preferindo fazer companhia pros bródi) assistir Mamma Mia.
    Saindo de lá, fomos até o teatro do Mamma Mia para comprar os ingressos. O caminho tinha mais um monte de lugares badalados e legaizões e também a Trafalgar Square, que a gente ia ver na terça, mas não vimos porque estava chovendo e todo mundo arriou porque estava cansado. Esse dia estava bem ensolarado e, quando chegamos lá estava começaaaaaando a anoitecer (eram umas 20h30, 21h), então o céu estava lindo e nós ficamos tirando fotos em cima das estátuas de leões gigantes :D Quando chegamos no teatro, a moça disse "I'm sorry. The box office is already closed, it closes at eight. But you can come back tomorrow from ten in the morning to eight at night or buy it online." (IGUALZINHO NO BRASIL: "A bilheteria já fechou, senhoooraaannn. A senhora não vai estar podendo estar estando comprando o ingresso, senhoraaaaan") Estava tão empolgada e relaxada e o caminho até lá tinha sido tão legal, que eu nem liguei. Voltamos para casa numa boa e aí eu comprei os ingressos do Mamma Mia, nós todos (menos a tia Nil,  que tomou suco de laranja) fizemos uma degustação de cervejas que o Marcelo comprou e fizemos um stopmotion do nosso brinde, fiz menção de escrever no blog, mas desisti e fui dormir :)

Tha nainth ov julai

    Olha. Esse não teve nada de KEEP CALM AND CARRY ON aqui. Foi tudo SHUT UP AND DEAL WITH IT. Todo mundo estressado, todo mundo demorando milênios para andar 10 metros porque todo mundo fica parando o tempo todo. Basicamente a questão é que o Marcelo e o Fell sempre ficam enrolando para acordar, aí quando a gente finalmente consegue sair, a tia Nil fica querendo parar para ir no banheiro, eu fico querendo parar para tirar foto, minha mãe fica querendo parar para fazer compra, os meninos ficam querendo parar para ver mulher e meu pai fica querendo parar para descansar. E ninguém quer parar pelo motivo do outro. Então, fica todo mundo irritado e revezando no mau-humor, que afeta cada hora um. Hoje passou por todo mundo, menos pela tia Nil (ou ela soube disfarçar muito bem). Mas também foi o dia mais legal e mágico de todos, pelo menos para mim.
    Tudo começou quando o Marcelo e o Fell saíram de manhãzinha (nesse dia especialmente eles acordaram cedo) para ir comprar as passagens de trem deles para a Bélgica, porque eles iam continuar viajando pela Europa depois que nós voltássemos para casa.
    Expectativa: enquanto isso, eu, o papai, a mamãe e a tia Nil íamos no Camdem Market (um mercado de coisas incríveis e malucas) e depois nos encontraríamos todos na Abbey Road, às 12h, que era pertinho de lá.
    Realidade: a gente saiu de casa depois das 10h e chegamos no Camdem Market (que era um mercadinho de coisas bonitinhas e alternativinhas-mas-nem-tanto-já-que-agora-todo-mundo-é-alternativo-então-ninguém-mais-é-alternativo) depois das 11h - para sair de lá às 11h40, para andar até a Abbey Road. 
    Logo que cheguei no mercado, entrei numa barraquinha para comprar uma caneca, o vendedor começou a puxar papo e perguntou de onde eu era. Falei que era do Brasil e ele me olhou com uma puta cara de dó.  Aí eu perguntei quanto custava a caneca e ele disse que era 7 libras. Minha resposta foi: "Seven is way too much!"e, no fim das contas, ele disse que eu podia escolher o preço que quisesse porque era brasileira. Hahahaha! É claro que eu me aproveitei disso e saí contando para todos os vendedores que era brasileira, para ver quem mais me dava desconto. Teve um cara que até me abraçou! Hahaha!
    Quando eram 11h40, o Marcelo já ligou  todo putinho falando "Cadê vocêêêês???? A gente já tá aqui esperando há mó tempãããoooo" UÉ, FILHO. NÃO TENHO CULPA SE CÊ CHEGOU MÓ CEDO. O COMBINADO ERA MEIO DIA, foi o que eu disse para ele. Mas logo perdi a razão porque eu, a tia Nil e a mamãe ficamos no mercado até às 12h (comprei um vestido lindo e três camisetas legaizonas :D) e depois (enquanto eu surtava com guias, mapas de metrô, relógios, imaginando a irritação dos meninos e achando que ia perder os passeis, querendo sair voando e tagarelando sem parar) meu pai ficou até às 12h20 tomando café, aí a tia Nil quis ir no banheiro, aí a mamãe quis comprar um sanduíche, aí o Marcelo quis que a gente levasse comida pra ele e tal e tal e tal e a gente saiu de lá às 12h40 pra começaaaar a ir pra Abbey Road, sendo que tínhamos que sair de lá às 13h por causa do passeio da tarde que tinha hora marcada. Quando deu 12h50 e nós vimos que, com aquele passo, não íamos chegar tão cedo, a gente desistiu de ir pra Abbey Road para não perder o passeio da tarde. Ligamos pros meninos e falamos para eles encontrarem com a gente no metrô. PENSE quão putos eles ficaram.
     Enfim, boas k com os boys e fomos para a estação Watford Junction, onde fomos levados por um shuttle bus para OS ESTÚDIOS DA WARNER PARA FAZER UM TOUR E VER TODOS OS CENÁRIOS E FIGURINOS E PROPS DO HARRY POTTEEEEEER *____* Mano. MANO. MÂ-NO! Foi fantástico, incrível, sensacional, mágico! Eu fiquei muito emocionada! Logo que a gente entrou, passamos por uma salinha que passou vídeos sobre a história desde o surgimento da ideia do livro até sair o último filme, depois fomos para um tipo de um cineminha que passou um vídeo do Rupert Grint, a Emma Watson e o Daniel Radcliffe, na frente da porta de entrada de Hogwarts, falando sobre como foram os anos que eles passaram no set, mostrando várias cenas e making of e tudo mais. Nisso, meu coração já tava apertado. Aí, no final, eles entravam pela porta e aí o telão levantava e estava lá a porta de verdade!!! E aí, eles abriam e tinha o salão principal lá!! De verdadeee! Gigantesco e lindo e real!! Meu, foi muito muito mágico! Eu entrei em Hogwaaaaarts! Eu estava com muita vontade de chorar nessa hora. Estava totalmente encantada, boquiaberta, sem reação. Meu pai ficava querendo tirar foto de mim com as coisas, mas eu não tava conseguindo nem me mexer direito de tão maravilhada que eu estava! Aí, ele pegou a câmera de mim e saiu tirando fotos da exposição, enquanto ia vendo as coisas. Eu fiquei muito atrás de todo mundo, perdendo horas em cada mínimo detalhe. Não estava mesmo em condições de tirar foto e nem queria. Queria só ficar observando tudo e encostando em tudo que pudesse. Era muito incrível! Jonatan teria SUR-TA-DO. A porta da câmara secreta, o salão comunal da Grifinória, o cálice de fogo, a toca, a cabana do Hagrid, a fachada de Gringots, o Beco Diagonal, o Ministério da Magia, a sala de poções, a sala do Dumbledore, o armário sob a escada, o boneco do Dobby, o boneco do Hipogrifo! Tudo lá! Incrível e real! E não era de papelão, isopor, essas coisas que aluno de audiovisual usa em cenário! Era tudo FODAMENTE FODA. 
    No meio do caminho, tinha (milhares de brasileiros com seus celulares, tirando fotos de um monte de coisa que eles nem sabiam o que era e não mereciam a honra de estar vendo, postando tudo no insta #harypoter e) uma barraquinha vendendo cerveja amanteigada! Comprei uma, mas era horrível e eu joguei mais da metade fora. E depois, eu cheguei na parte que tinha os desenhos dos cenários e maquetes dos espaços e finalmente na maquete gigante do castelo de Hogwarts! FODA DEMAAAIS!! Nessa hora, eu senti falta da câmera. Queria uma foto com aquela obra de arte maravilhosa. AH, SIM. PORQUE QUEM DIZ QUE ENTRETENIMENTO NÃO É ARTE ENGOLIRIA CADA UMA DE SUAS PALAVRAS VENDO ESSES CENÁRIOS! É lógico que é arte! E uma arte muito da incrível!
    Enfim, exit through the gift shop, as always, e eu comprei uma caixinha de feijõezinhos de todos os sabores e uma claquete da Warner ;D Encontrei o resto do povo, que estava me esperando lá fora, e nós pegamos o ônibus de volta. Chegando no metrô, o Fell (que já estava de saco cheio das nossas enrolações e, como não é da família, não é obrigado!) foi para a casa e o resto de nós foi para a Abbey Road tirar a foto atravessando na faixa de pedestres! E foi maior legal! Um dos poucos lugares turísticos dessas metrópoles turísticas que ainda não tem que pagar ingresso e esperar numa fila. Tem que esperar parar de vir carro e sair correndo para tirar foto, na raça mesmo. Bem mais divertido! E conseguimos tirar umas bem legais :D
    Saímos de lá e fomos para aquele pub/restaurante perto do apartamento jantar, tomar cerveja e assistir o jogo da Holanda e da Argentina e o Fell foi pra lá encontrar com a gente. Uma hora, entrou uma mulher loira e altona e a gente comentou que ela parecia muito a Brianne of Tarth do Game of Thrones. Ela estava vestindo uma blusa de time de futebol e, quando ela virou de costas a gente viu que estava escrito Tarth na blusa dela!! Hehe! Enfins, mulheres foram pra casa depois do primeiro tempo e homens ficaram lá até o fim, prorrogação e pênaltis inclusive. Eu cheguei em casa doendo INTEIRA e me joguei na cama. Apenas. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ám sou taied

Tenho deixado de escrever para passear e para dormir para conseguir passear. Mas prometo tirar o atraso assim que possível. Provavelmente, amanhã nas 10h dentro do avião ;)

Enquanto isso, acompanhem a versão do Marcelo da viagem: http://putsnem.blogspot.co.uk/2014/07/london-calling-parte-1.html

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tha eith ov julai

    Eis que este dia começou com uma visita à casa da Dona Elizabeth para ver os hominhos mudando de lugar. Eu, o Fell, o Marcelo e a tia Nil saímos de casa (atrasados, as always) e fomos ver a troca da guarda, no Palácio de Buckingham, que acontece todos os dias às 11h30. Mas sempre tem um monte de gente querendo ver, então tem que chegar cedo para arrumar um bom lugar no aglomerado. Chegamos umas 10h30 e, apesar da Claire ter dito que o melhor era ver de longe, na frente do Trlalalalawney da Victoria, a gente seguiu as instruções do Fell e ficou a um grupo de pessoas (cuja nacionalidade não fomos capazes de decifrar. A tia Nil achou que era alemão, eu achei que era árabe e os meninos acharam a de olho verde gatinha) da grade e assistimos a um quinze avos do que aconteceu, através das barras da grade, das cabeças das pessoas e das mãos com máquinas fotográficas e celulares. A galera é muito folgada, maaanooo! A pessoa SE ENFIA NA MINHA FRENTE e fica gravando videozinho pra postar no insta. SABEE??? Tenho certeza que essas coisas eram muito mais mágicas quando não existia máquina digital. Teve vários momentos que eu tive que ficar assistindo pelo celular dos outros porque não conseguia enxergar nada! Isso quando não aparecia um francês FOLGADÊ PRA CARALHÔ e literalmente (vocês sabiam que, de tanto as pessoas usarem "literalmente" errado, mudou o significado? Segundo o Marcelo, não significa mais que a coisa aconteceu de fato. Mas, bom, aqui significa) se apoiava em mim para enfiar a cabeça na minha frente!
    Anyway, o que aconteceu foi: saiu a tropa que estava guardando o palácio e entrou a outra. Mas, no meio disso acontecem vários paranauês que eu não consegui enxergar, tipo um bater continência pro outro, um conferir o uniforme do outro, etc, etc. Mas O MAIS LEGAL DE TUDO, muito mais legal do que estar na frente de um monte de cotonetes gigantes de corpo vermelho e cabeça preta, muito mais legal que imaginar que a rainha, o príncipe ou a princesa de Tralalalalawney está lá dentro, foi quando eles tocaram as músicas. BITCHES, ELES TOCARAM A MÚSICA DA ABERTURA DO GAME OF THRONES, A MÚSICA DO INDIANA JONES EEEEE A MARCHA IMPERIAL DO STAR WARS!!! Foi móóóinto legaaaaal! E nessa hora eu também virei uma chatona com câmera na mão porque queria gravar a música pra minha mãe! Enfim, maior legal.
    Saindo de lá, nós quatro andamos até os arredores do Big Ben e vimos lá o dito cujo. Lindão, viu? Bem mais do que eu imaginava. Tiramos umas fotinha dele e da gente fazendo coisa de turista numa cabine telefônica vermelha, mas logo pegamos o metrô para ir encontrar meus pais na saída do hospital.
Quantas saídas vocês imaginam que esse hospital tenha? Tinha seis.E meus pais não estavam em nenhuma delas.
    Subimos descemos, rodamos, andamos e lutamos para viver num mundo sem celular. E vencemos. Finalmente, eu encontrei minha mãe e nós fomos todos almoçar num restaurante de massas que um funcionário bonzinho do hospital indicou. Comi uma lasanha que estava bem delícia. Mas, virge Maria que só to comendo massa e fritura nessa viagem, minha nossinhora!
    Saindo de lá, pegamos o metrô para a London Eye, que é a roda gigantezonha que tem vista pra cidade, roda a 1km/h e tinha uma fila de 100km. De lá, tem uma vista bem bonita do Parlamento (que é onde fica o Big Ben) do outro lado do Tâmisa. Tiramos bastante foto, fomos no banheiro, papai e mamãe comeram waffles e nós atravessamos a ponte para chegar lá perto do Big Ben. A cada passo, ele ia ficando mais bonito. É todo cheio de detalhes dourados e desenhos e pontas e tal. É bonito de verdade. Mas não pode entrar nem nada, então o mais perto que a gente chega é da grade, na qual o Marcelo encostou primeiro, beating me na nossa competição de quem encosta em monumentos históricos primeiro.
    Demos a volta no Parlamento e fomos na Abadia de Westminster, onde o Marcelo também encostou primeiro e onde nós não pudemos entrar porque estava tendo missa. Na verdade, meus pais e a tia Nil ficaram para fora e eu, o Fell e o Marcelo entramos , ficamos 10 segundos e fomos expulsos. Anyway, era bonito lá dentro, como sempre são essas igrejas góticas da Europa. E a lojinha de souvenir tinha coisas incríveis. Etcha lelê, ta aí um negócio que me incomoda: gente que faz dinheiro em cima de religião. Enfim, nem comprei nada porque era tudo carésimo.
    Saindo de lá, a gente foi pra Trafalgar Square, mas só vimos de longe porque, antes que a gente chegasse lá de fato (não que tivesse muito o que ver, me pareceu), paramos numa lojinha de souvenir que fez os adultos ficarem cansados e quererem ir para casa e deu tempo de começar a chover. Então, os planos de ir nos pubs do Convent Garden assistir o jogo do Brasil com a Alemanha (aaahh... Esse jogo! Mal sabíamos o que nos aguardava...)foram cancelados e os adultos foram ver em casa, enquanto as crianças foram no Hard Rock café. Mais uma longa caminhada sobre peitos e bundas e enfim uma loja com camisetas legais de rock que, vejam vocês, ficava num lugar separado do café. Ali era a parte de gastar dinheiro, pra tomar uma cerveja, tinha que atravessar a rua. E assim o fizemos. Tomamos uma cerveja no balcão do bar e depois vimos que não daria tempo de voltar para casa para ver o jogo com meus pais, então fomos procurar um pub que tivesse lugar para sentar e uma tv passando o jogo. Andamos bastantinho, até que achamos.
Entramos lá sóbrios, tomamos mais duas cervejas cada um e saímos bêbados humilhados, incrédulos. Sete, cara. SETE. Isso é muito. Tipo, muito mesmo. Nunca vi um massacre desses, que absurdo! Eu nem ligo pra futebol, mas quando chegou no cinco, eu fiquei com vontade de chorar. E os alemães faziam o gol com uma facilidade!! Simplesmente não tinha ninguém defendendo! E os europeus todos do pub comemorando a cada gol e eu incrédula, recebendo mensagens de zuação no whatsapp. Que loucura, cara. Que loucura.
Enfim, saindo de lá, fizemos nosso longo caminho para casa, todos bêbados, o Fell rindo de mim bêbada falando que eu fico mais legal assim, o que é um elogio e uma ofensa ao mesmo tempo, e eu querendo muito muito muitão (mas não mais que na Times Square, Ni) fazer xixi. Aí o Marcelo cavalheirou para a irmãzinha e conseguiu que o moço do metrô me deixasse usar o dos funcionários e aí eu me tornei uma pessoa mais feliz. Foi assim: o Marcelo chegou e perguntou se tinha banheiro, aí o cara falou que não, só para funcionários. Aí o Marcelo falou que era pra irmã dele e o cara falou: "ah, então tudo bem" (subtexto: é uma mocinha, então se ela fizer cocô, vai ser pequenininho e com cheiro de flores, então pode) e fez a boa.
E, como se não bastasse, quando a gente saiu da estação onde eu fiz xixi, uns caras ainda tentaram puxar briga com a gente na rua??!! Primeiro, eles jogaram água na gente, aí todos olhamos feio e eles tacaram uma latinha. Aí o Marcelo ficou putão e falou "Go fuck yourself! Aqui é BR, porra!" (ou coisa que o valha). Aí o cara veio pulandinho com os punhos fechados, daquele jeito que é bem o mais ridículo possível para puxar briga, falando "Come, come!" Aí, o Fell falou: "I'll call the cops, asshole!" e eles debandaram. AFFS... TE CONTÁ, VIU?
    Cheguei em casa sem condição alguma de escrever aqui e compartilhei minha frustração com meu pai (que, no fim das contas, foi ver o jogo com a minha tia num restaurante aqui perto, porque a TV do ao não ligou, e minha mãe ficou em casa, nervosa demais para acompanhar a partida, acompanhando só pelo whatsapp dazamiga) e com ozamigo do Brasil, que mandaram memes e áudios engraçadíssimos e fui dormir.
    Perturbada. Acordava no meio da noite e pensava: sete, mano. Sete. Sonhei que a Alemanha perdia de oito.